sábado, novembro 03, 2007

Take care of yourself



I received an email telling me it was over: I didn't know how to respond. It was almost as if it hadn't been meant for me. It ended with the words "Take care of yourself". And so I did.
I asked one hundred and seven women, including two made from wood and one with feathers, chosen for their profession or skills, to interpret this letter: to analyze it, comment on it, dance it, sing it. Dissect it. Exhaust it. Understand it for me. Answer for me.
It was a way of taking the time to break up.
A way of taking care of myself.


Sophie Calle



Take Care of yourself (Pernez soin de vous) é daqueles livros que todos deviam ter na biblioteca pessoal. É composto por fotografias, textos e filmes, e esteve no pavilhão françês da Bienal de Veneza.

Sophie Calle, a autora, é uma artista plástica francesa.


Quando recebeu um email do namorado a terminar a relação, Sophie teve uma ideia. Convidou mulheres para, a partir daquele mail, fazerem a sua interpretação.

Assim, no interior do livro emergem coisas deliciosas desde o mail passado para linguagem sms, para Braille ou para código de barras; o mail é analisado com grande seriedade por médicas, juristas, juízas e advogadas, designers, fotografas, pintoras, poetisas, adolescentes, cantoras, bailarinas, terapeutas, escritoras, polícias, jogadoras de xadrez, jornalistas, editoras, redactoras, realizadoras, actrizes e até pela própria mãe de Sophie. Contabilidade final: 107 mulheres. Entre elas constam as portuguesas Maria de Medeiros e Mísia, mas também nomes como Laurie Anderson (imagem ao lado faz parte do livro) e Peaches, só para dar uma pequena ideia.

É um trabalho belíssimo, feito com muito bom gosto desde o conteúdo até à textura das folhas. Adorei. É uma obra para tratar e cuidar com todas as mesuras.

É um trabalho de uma mulher com várias outras mulheres, que, por acaso, surge por causa de um homem. Mesmo assim não é uma bandeira feminista, nem uma vingança pessoal. Na última página, Sophie explica tudo numa simples frase. Para mim, este livro é um hastear da imaginação.

Nota final: de vez em quando tenho sorte de partilharem comigo este tipo de coisas. Obrigada.